sexta-feira, 26 de agosto de 2011

(Desss)cálculo

 Fico por aqui, decidida.
 Decidi: Cansei.
 Parei.

 Larguei mão
 De adição
 divisão 
 Multiplicação
 Encheção

 O exato só vai na marra ou na reza
 E as vezes não vai

 Por isso me canso
 Nem tento
 Não quero
 Também não preciso.

 Cada um na sua!
 Só sei que não vou morrer calculando
 Pensando na trajetória da queda
 Quando sentir meu corpo pesando
 Me tire de cena que toda carne é só pedra...

 Afinal, cada um que cuide do seu
 Cada um que saiba o que quer...

 Eu,
 Duvido do exato.
 Paro no mistério.
 Duvido de olhares exatos.
 Paro no seu mistério.

 Admiro o escuro, o medo e o impalpável.
 O medo do impalpável então... Me fascina.
 Desconfio da luz
 De ver e tocar.
 Provas,
 Leis
 Fórmulas
 JAMAIS serão o suficiente para mim.

 Gosto de olhares atentos, focados, com tempo.
 Gosto de gente se preocupando com detalhes.

 Não tenho medo de perder o meu tempo.
 Me dá tremedeira o termo "frio e calculista"
 Gente que olha o relógio o tempo todo...

 Passo nem perto.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Do vento

 Me assustei ontem ao limpar uma lágrima. Chorei em pó.

 Eu... Sequei.

 Se alguém assoprar eu desmonto
 Vou por aí

 Feito cinza no vento
 Virei cinza do vento.

Sobre sair daqui

Um dia eu estarei do lado de lá
E o vento soprando metido
Embalando filosofias de um outro camarada
Levará consigo o sabor do meu perfume

 (tão livre quanto doce).


quinta-feira, 28 de julho de 2011

Descobrindo perfeição

 A imensidão em cada nota
 O sentimento na técnica
 E a sutileza da estética...

 Tudo em mim é sentimento, queimo sentidos em busca de emoções completas.
 Quando sai daquele cine teatro eu não soube explicar o que tinha sido aquela orquestra... Aquela moça solando no cello, aquela senhora viajando dentro de um violino, a harmonia perfeita, o todo. Na verdade, até agora eu não sei. O que foi aquilo? Um tapa na cara. Um soco na boca do estômago. Um chute na canela. Isso.
 Sentar naquela cadeira foi entrar na montanha-russa que há em todos nós. Jorrar. Chorar triste, de amor. Chorar alegre, de prazer, de sorte por estar ali. Querer dançar, feliz, desavisado.
 Perfeito. Eu jamais acreditei na possibilidade da perfeição mas, eu garanto. Perfeito. Mágico.
 Música é magia. E olhar para o lado, encontrá-lo ali sentado, aquele meio sorriso de quem também está descobrindo perfeição, é ter certeza de que encontrei o meu lugar. Encontrei o meu lugar.
 Nunca vou esquecer. Saímos de lá olhando meio assim, encabulados.
 E dizendo: "Caramba, isso é Deus... Isso é Deus."

                               




 Somos um violino melodramático
 Em uma Valse Sentimentale
 Somos os pássaros piando no pátio
 Em sua doçura que não me vale...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Choque térmico

 Alguém aí já se viu parado no meio de um nada absurdo, olhando para a ponta dos pés, vista embaçada, como se tudo no mundo fosse apenas os pés, os dedos, as unhas...
 Me sinto como se tudo aquilo pelo qual lutei com unhas e dentes, acreditei, confiei cegamente, corri atrás e me esforcei para manter... Acabasse. Meus dedos todos se furaram e vejo um líquido muito estranho jorrar. Eu me vejo saindo de mim e não faço nada. Observo.

 Simplesmente.

 Como se tudo que sou virasse pó. Vapor. E se perdesse...
 Como se todos os meus princípios, certezas e até meus medos, não fossem mais meus. Não fossem de mais ninguém. Não fossem mais... Nada.

 Estaca zero
 Desde o princípio
 Tudo de novo
 again again again again again again again again again again again again again again again

 Esfriei.
 Difícil agora é desatar o nó que você me causou
 Ao jogar um balde de água fria sobre a minha cabeça sem a intenção de me esfriar...

 É que eu fervia. Feliz.
 Cúmulo do feliz.
 De repente uma leva de friagem, inverno, tempestade... De repente.
 Assusta. Choque térmico. Desculpa.

 Difícil. Tentei. Não deu.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sinceramente falando

 Tudo que precisamos é intensidade.
 VER-DA-DE.

 Porra, pare e pense!
 Uma única vez na vida, seja sincero consigo mesmo.
 Descarte por um instante os seus bloqueios e esqueça a vergonha que vai sentir ao fazer isso e olhe em volta.
 Isso, olhe em volta. Juro que ninguém vai ver...

 Vamos! Dê uma olhadinha.

 Procure verdade.

 Isso. Olha bem. Vai, olha atrás também. Direita, esquerda... Tudo.
 Olha embaixo das mesas, das camas, tudo!!!
 Olha pra cima! Tem teto, tem céu, pode estar lá.

 Ué, cadê? Vai olhar no espelho. Quem sabe ela não esteja escondidinha...
 Agora vai no seu albinho de fotos do orkut. Depois na sua lista de contatos do msn...

 Ops. Nada.

 Hm... Ta sentindo um vazio, certo?
 Uma sensação de impotência...
 Ta doendo, ham?
 Ta se sentindo meio inútil, descartável, tipo robozinho mesmo?

 E é.

 Acredite! Não seja tão egocêntrico à ponto de não acreditar no que eu estou te dizendo...
 Sabe essa dorzinha muito agudinha que começou na ponta da coluna, se espalhou, chegou no coração, disparou e doeu mais forte? Ego atingido. Sem dúvidas, ego atingido...

 Dói, eu sei. Doeu em mim também. Normal... Somos mesmo o centro do nosso mundinho.

 Agora deixa eu te contar uma outra coisa:
 Logo que nascemos, os nossos pais além de nos proteger com roupinhas cut cut, também nos colocam no fundo de um casulinho quentinho e nos deixam lá para o resto de nossas vidas.
 Lá dentro comemos, tomamos banho, nos vestimos no frio, nos despimos no calor, não nos machucamos mas se acaso ocorrer qualquer descuido, curativos! Tem remédio e tem o básico para nos sentirmos felizes, bem alimentados, saudáveis e em paz.

 Tão em paz que, quando fora do casulo, queremos voltar correndo.
 Voltar o mais rápido possível! Porque lá tudo dá certo, tá pronto, é a nossa área.

 "Minha nossa! Fui traído! Eu só queria a minha cama agora..."
 Você se protegeu tanto que jamais soube viver.

 Tipo uma onça que nasceu e cresceu em zoológico. Virou um gatinho que cresceu demais...
 Não sabe a força e o potencial que tem. Não sabe que se quisesse conseguiria aquela carne que jogam em sua jaula todos os dias, sozinha. Não sabe nem quem lhe joga carne. Ela não sabe nem que existe vida fora da jaula. Só está ali porque lhe é cômodo... Tem comida, tem espaço. A vida, indiscutivelmente, não poderia ser melhor.

 A onça só não sabe que da grade para fora tem muito mais comida e um espaço absurdo... Mas para conquistar isso, terá de sofrer. Abrir mão do conforto e ir embora. Vai sofrer para vencer as trancas da jaula e depois para sobreviver.
 Sozinha! A onça se encontrará sozinha, do portão para lá, livre. Agora terá de aprender a comer. Terá de aprender a ser onça.

 E em meio a tantas provações e desafios, a onça receberá o melhor presente do mundo.
 O MELHOR PRESENTE DO MUNDO!
 Entrará em contato, pela primeira vez, com o êxtase absoluto de ter descoberto a verdade.

 Se você ainda não encontrou verdade, saiba que dá tempo.
 Ainda dá tempo de ser sincero consigo mesmo e aceitar que sua vida é um poço de inutilidades.
 Que você come e dorme. E vai passando o tempo... Daqui cinquenta anos você comeu e dormiu.
 No casulinho, que agora é outro porque você trabalhou muito, casou e finalmente construiu o seu. Que será o dos seus  filhos. Que consequentemente serão os mesmos babaquinhas alienados, conformados e robotizados. Quanto orgulho, não? Iguais ao papai... Vivendo sem ter noção do real, na ilusão de fazer tudo certo, quando na verdade o que fazem não muda nada. Absolutamente nada.

 Veja!
 Contatos não te deixam passar o sábado a noite em casa.
 Amigos não te deixam passar pela dor sozinho.
 Pais não te deixam começar a beber cedo e acabar com o fígado.
 Professores não te deixam sair da escola sem saber o abc.
 Diálogos rápidos e robóticos como um "bom dia", te livram de ser mal educado.
 Ajudar alguém a atravessar a rua, te faz bonzinho o resto da vida.

 Você está o tempo todo encobrindo a verdade!
 Mas é certo que tem gente que não liga para nada disso... Gosta de fingir.
 Encobrir, deixar para lá, não tocar no assunto, varrer para debaixo do tapete e bola pra frente... EU NÃO!

 EU JAMAIS!

 Comer e dormir é muito bom. Te impede de parar de respirar. Percebe isso?
 Esperem que antes de continuar eu vou fazer um pedido.
 Um pedido extremamente sério. Não estou mesmo de brincadeira...
 POR FAVOR prestem atenção nisso!

 Se você é um adepto da incrível constatação de que para viver basta estar respirando...

 Meu querido! Pare de ler agora.
 JÁ!
 Anda.
 
 JÁ!

 Aliás, clica no x e sai daqui.
 E não volte nunca mais!!!!!

 NUNCA MAIS!

 Que para mim você já morreu ó, faz tempo.
 E eu lá quero contato com defunto? Sai pra lá.
 E muda de calçada quando eu estiver passando!

 Peraí, você não morreu não. Você nem nasceu. Não é nem ser humano, nem nada.
 E se querem saber, É PRECONCEITO SIM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
 Tenho preconceito mesmo e esse tipo de gente me dá coçeira. De ficar vermelho e tudo.

 Ok, continuando, se você não é um daqueles projetos de ser vivo citados à cima, quero que leia a minha explicação.
 Para viver não basta respirar.
 Não basta ter um belo pulmão e um coração bombeando sangue todo certinho...
 Nada disso.

 É preciso intensidade.
 É preciso sorrir sincero.
 É preciso descartar qualquer função que se exerça somente por dinheiro... É preciso correr atrás do que deseja.

 E é preciso, acima de tudo, ser livre. Liberdade é a chave da vida.
 Ser livre para sentir, para escolher, para ser.

 Viver não é aceitar as regras e as malditas tradições... Aceite-as se concorda com elas. Se não concordar, questione. Seja a regra. Faça sozinho e do seu jeito.
 Seja ativo, desperte-se. Desperte seu corpo e sua mente. Pense. Pense muito! Mas não só pense, aja também. Seja importante para si mesmo para só então pensar em ser importante para alguém.

 Saiba que egocentrismo não ajuda... Pense no todo. Se eles não pensam, pense por eles. Induza-os a pensar.
Ajude. Arrisque! Vá embora!
Queira a vida. Ela vai muito além dos portões da sua casa, da entrada da sua cidade, do sotaque do seu estado, das fronteiras do seu país e das camadas gasosas do seu planeta.

 Viver é muito e somos pouco.
 Somos tão pouco... Viver é muito mas dura muitíssimo pouco. Tão pouco que, enquanto você pensa nisso, milhões de pessoas morreram e milhões de pessoas nasceram. Sim... Portanto saiba que não dá  tempo.
 Nada nunca dá tempo. É preciso agir.

 Antes de aturar um trabalho que só te diminui, por dinheiro;
 Antes de aturar uma pessoa que só te irrita, por educação;
 Antes de aturar uma vida que só te atrasa, te bloqueia, te diminui e poda sua imaginação...

 Pense! Pense que está morrendo. Morrendo rápido demais. E está a ponto de se tornar um daqueles projetos de ser vivo que citei a pouco...

 E será mais um do qual sentirei nojo, ânsia e pena. Muita pena.

 Já eu, fico aqui muito feliz que comecei viver aos 15... Tem gente que começa aos 80!
 (E tem gente que não começa nunca).

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Te quero como for


 Se por ventura ainda quiser alguma coisa
 Talvez um pouquinho de açúcar
 Uma aumentadinha no seu ego
 Ou um pouquinho de mim

 Saiba que ainda estou aqui.

 Aos pedaços... Mas estou.

 Se for preciso, pode deixar que eu finjo que não doeu.

 Ha, pode vir como quiser (verdadeiro ou não).



quinta-feira, 16 de junho de 2011

Apagão

"Viu? Foi preciso um apagão para ver a lua."

 Quando acabou a força aqui em casa, demos as mãos e fomos para a cozinha procurar algumas velas. Não encontramos.
 Usávamos um celular como lanterna e mesmo assim, nada. Só então percebemos a presença de uma luz muito singela entrando pela fresta da janela... Lua cheia.
 Fomos para fora, sentamos e esperamos. Ninguém disse nada. Mas a verdade é que ficamos ocupados demais olhando para ela... Grande, majestosa, cheia de si.
 Naquele momento paramos. Paramos tudo e admiramos a lua. O apagão se tornava então uma desculpa para ficarmos ali.
 Quando a luz voltou, desligamos tudo e fomos para fora de novo.

 Que absurdo.
 Foi preciso um apagão para darmos as mãos...



quinta-feira, 2 de junho de 2011

Melancolia

 Meu quarto costumava ser meu refúgio, o lugar mais próximo que cheguei do céu.
 Hoje, sinto vontade de explodir essas paredes por telepatia.

 Meu refúgio foi rebaixado à prisão, sufoco, desânimo e falta de ar.
 Qualquer porto seguro fica longe o bastante para que eu não consiga alcançar.

 São tantos os avisos
 Antes de entrar em qualquer lugar
 Antes de remoer qualquer assunto
 Piscando, apitanto, irritando
 VÁ EMBORA!
 DAQUI PARA CIMA
 NÃO ENTRE
 NÃO PERTURBE
 CÃO BRAVO
 NÃO ULTRAPASSE
 ÁREA RESTRITA

 "ZONA DE PERIGO! ZONA DE PERIGO!"

 Minha vida está em guerra comigo.

 Estou em guerra comigo!
 E não sei nem bem o motivo...
 Toda essa melancolia...
 Monotonia...

 Quanto mais o tempo passa, pior fica essa agonia
 A pior rotina que conheço
 É a rotina de melancolia.

 Sinto um buraco negro em mim
 Que engole tudo o que sou
 Receberei sabe-se lá que fim
 Mas como eu ficaria menor
 Do que já estou?

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Desperdiçando grafite com saudade

 Uma folha
 Um lápis
 Porta aberta para um mundo
 Para um tudo
 E eu só em você

 Você.

(E não saio dessa)

domingo, 15 de maio de 2011

No escuro

 Quando eu preciso de um pouco mais de mim
 Não me aproximo do espelho, mas do escuro.

 Na escuridão das cenas
 Das ruas
 Dos poemas...

 Espelhos são rasos
 Maquiando a sua baixa estima
 Deixando tantos rostos ralos
 Tão mais ralos... Mais ralos ainda

 No escuro, no medo do palpável
 Gente tão pequena torna-se inflamável
 E toda alma antes escondida
 Aparece
 Esconde a carne e mostra a vida

 O escuro nos torna
 Carne, osso
 E alma.


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Mente Informação

 Escuto
 Um batalhão de coisas
 O tempo todo

 Vejo
 Um batalhão de coisas
 O tempo todo

 Digo sem pensar
 Qualquer coisa
 O tempo inteiro

 Ando pensando em ficar surdo
 Cego
 Mudo
 Antes de pensar

 Quando acordo
 Melhor nem levantar...
 Ignorar o fato do teto trincando
 Outro exército de coisas
 Marchando, marchando

 Informação demais enjoa
 Informação demais atordoa
 Muita informação para uma mente
 Tão pequena, em formação

 Informação barata
 Em peso
 Informação banal
 Em bando

 E sua mente em formação
 Estaciona
 Para na poltrona
 Para assistir mais um show de animação

 Quando der o intervalo
 Dê uma passeada pelos canais
 Começa agora aquele novo programa
 De troca de casais

 Escute só que deselegante
 Tem gente muito grande
 Adorando te ver parado
 Aí nessa poltrona

 Escute só quanta rebeldia
 Tem gente maior ainda
 Adorando ter sua mente em formação
 Pro resto da vida.


domingo, 8 de maio de 2011

E se me perguntarem

 Se eu sei de perfeição
 Não irei mentir

 Eu sei

 Sei que esse termo
 Não deveria existir

domingo, 24 de abril de 2011

Uma pequena mulher pequena

 Fez-se pequena por todos os lados
 No tamanho, na alma, no jeito, nos traços

 Fez-se pequena na grandeza
 De toda sua inocência antiquada
 Antiga, ingênua, gasta... Roubada

 Foi pequena, fizeram-na assim
 Fabricaram antes cada dia um tanto
 Desse amargo que hoje lhe retém o pranto

 Resolveu não dar lado às suas mágoas
 Mesmo quando a dor ficava sem jeito...
 Era então o começo
 Dessa capa que hoje lhe envolve o peito

 Cozinhava para oito
 Lavava os pratos de oito
 Passava a roupa de oito
 Costurava as calças de oito
 Oito.

 Se ela ainda hoje não sabe o que é amar
 Aconteceu de ninguém a lembrar
 Como amar? Se não podia nem... Pensar

 Roubaram-lhe a essência!
 A pequena foi reduzida à burro de carga
 E hoje esses mesmos ladrões
 A culpam por ter sido desinteressada
 E DESARRUMADA.




 Hoje presto muita atenção em cada palavra rara que a pequena solta...
 Cada sorriso que eu arranco daquele rosto miúdo, me deixa um pouquinho em paz.
 Sei que jamais vou resgatar tantos anos perdidos, mas posso fazê-la o que ninguém a fez.
 A pequena... Importante para tanta gente, mas sem ninguém para lhe dizer...
 Eu digo.
 Comigo ela não será rebaixada ou elevada a nada do que realmente é.
 Comigo ela pura e simplesmente será avó, ou, antes de tudo, MULHER.


 Um homem machista anula todas as suas outras características.
 Um homem machista... Se anula.
 Uma mulher vítima de um homem machista
 Pode perder o brilho por convenções burras
 Ou desfazer-se do erro e brilhar ainda mais.

sábado, 16 de abril de 2011

Um cinema de mim

 Cabeça baixa
 Sono
 Amargura...
 Assusta.

 Olhar retraído
 Olhar destraído
 Sem apetite
 Repensando alguns palpites

 Meus palpites desacelerando...
 Me assusta.

 Sempre tão cheia de mim
 E no meu umbigo
 De repente ficar por fora

 Tão por fora assim
 De mim,
 Me assusta.

 Me ver abrindo o portão
 E entrando em casa assim
 Por cima,
 Me assusta.

 É como se eu fosse ao cinema todos os dias
 Para assistir uma réplica quase perfeita
 Um xerox de mim que faz exatamente o que eu faço,
 Mas que não sou eu, de fato.

 Como se eu estivesse em recesso,
 Intervalo, pausa para o lanche.
 Um período entre a brincadeira de viver
 E a vida.

 Melancolia.
 Vivendo agora para dar certo depois.

 E com muito medo
 De que dê errado.
 De que não saia como o planejado
 Tão planejado...

 Medo do tal "nunca chegar",
 Medo de me preparar para viver depois
 Para sempre.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Mente sã


 A minha não é.
 A sua não é.

 Não antes de dormir,
 Nem diante da certeza de que ninguém poderá lê-las.

 De perto, todos nós somos insanos.

 Todos
 nós 
 somos meio
 insanos

 Escondendo alguns pensamentos
 Por debaixo dos panos

 Guardando nossa insanidade particular
 Sob o tapete felpudo das nossas idéias
 Sem platéias...

 Aonde isso vai dar...

 Mente dã

 Mente
 Dã.


domingo, 3 de abril de 2011

Fonética frenética

 Pessoas nascem enquanto eu pisco os olhos.
 Pessoas morrem enquanto eu pisco os olhos.
 Mulheres escolhem vestidos de noiva.
 Homens fazem pedidos de casamento.
 Casais na hora do sim.
 Juízes na hora do "culpado"!
 Funerais, acidentes, beijo, tapa, briga, volta, riso
 Choro, cotuvelada, batida de dedinho no pé da cama
 Prensamento de dedão na porta do carro
 Bodas de ouro
 De prata, de bronze, latão
 Batida de carro na China
 No Afeganistão
 Na Rússia, Japão
 Flash em mais um flagra na orla de Copacabana
 Algum rico famoso mantendo a forma com sua água e sua bandana

 Bebês nascendo, gente morrendo
 Tudo aos trilhões pelo mundo a fora.

 E eu só pisquei os olhos...
 E eu aqui, só piscando os olhos.


quarta-feira, 30 de março de 2011

Por não querer o que vai ser

Sabe acordar e fingir que não?
Minto para mim mesma que ainda não abri os olhos
E fecho rapidamente, antes que percebam que menti.
Faço isso todos os dias bem cedinho,
Por não querer de novo o que vai ser.
Finjo que é noite mais uma vez,
Para não ter que ouvir a voz daquele porteiro chato
Que aparece sempre no mesmo tom batido.
Finjo sempre que o tempo tirou férias e a Terra vai ficar quentinha em casa.
Para a minha consciência não pesar tanto enquanto eu viro e dou outra dormida.
Qual é o problema em adiar um pouquinho? Se eu já sei mesmo o que vai ser...
Sabe querer sumir, desaparecer
Reduzir-se à floquinhos de nada
Virar a sopa da janta, fugir ou morrer
Sabe querer outra vida
Mas não poder, por ter nascido em uma?
Sabe não ser de onde é
Mas não saber aonde se encaixa?
Sabe... Querer sair do sério com fequência, às vezes?


sábado, 26 de março de 2011

Boa música

 Está escuro
 Faz frio
 Venta gelado
 E meu cabelo molhado,
 Pingando.
 Na cadeira gelada
 Molhada
 Gelada.

 Sem calça comprida
 Nem cobertor
 Cubro-me de música.
 Boa música.

 De repente um calor parte da minha coluna vertebral e percorre todo o meu corpo, como se procurasse algo...
 Quando encontra, para no fundo do meu ser e eu descubro que procurava minha alma.
 Fecho os olhos e sinto meu coração se comprimir no peito: Tudo está aquecido e minha alma grita que vai partir em mais uma viagem pelo meu corpo.
 É o refrão.

 Viaja em mim como se seu combustível fosse despertar os sentimentos mais sinceros, profundos e mais meus.
 Como se seu combustível fosse fazer sentir-se.
 Como se dissesse: Estou aqui e sempre estive. Só pare para ouvir e entenderá para o que eu sirvo.

 Como se seu objetivo fosse aquecer meu corpo gelado nessa noite fria...
 Ou, ainda, aquecer minha alma fria nesse vida gelada.

 Então queimo,
 Como mágica.
 Mágica curta,
 Que termina ao término da música.

  

sexta-feira, 25 de março de 2011

E na minha testa, um aviso:

 Deste lado para cima.
 
 Não estou para boa companhia.
 Não estou para segurar a barra.

 Pense o que pensar
 Faça o que fizer
 Mas por hoje, não.

 Tchau e até depois do meu chá de camomila.
 Se demorar muito, saiba que estarei colando os pedaços da máscara
 Aquela bem bonita, que eu uso para aturar você.


 

quarta-feira, 23 de março de 2011

Um pouco de nós

 Essa é uma história que está acima de tudo que atrasa a vida.

 Um tanto para lá do muro concreto
 Meio na beira da imaginação
 Equilibrando-se para não perder a razão
 Com um pé lá no alto e outro ameaçando sair do chão.

 Uma história que queima
 Arde
 Fere, perdoa, imagina.

 Que ainda não caiu em si
 Mas já ultrapassou seu limite
 E não aceita qualquer que seja o seu palpite.

 Vale frisar que está acima, muito acima
 Acima do que atrasa, do que apressa
 Do que fica sem tempo, que estressa
 E de tudo aquilo que faça perder a graça
 Da chuva fininha caindo na praça.

 Acima de todo e qualquer sujeito
 Que não nos faça perder o jeito
 Nem nos faça sair do eixo
 Já que juntos vemos só o que é nosso
 E esquecemos o que é direito
 Bonito, bem feito
 E temos apenas o que de fato somos.
 E somos bem feitos, errados e direitos
 Como deveríamos ser.

 No molde exato, na fôrma correta
 Minha perda de tempo predileta
 Compreendemos a única medida que temos
 Para sermos nós.

 Minha fórmula secreta para fechar os olhos
 E viajar...
 Ir um pouco para lá do além
 Viajar no que é meu
 No que eu sou
 No que eu quero... No que eu vou...

 E os meus pés, tão na realidade
 Passeando, voando, voando

Funcionou

 Delícia é encontrar os amigos.
 Observar os que se amam profundamente
 E amar amá-los se amando profundamente.

 Delícia é ter porque ficar nervoso.
 Um nervoso tranquilo
 De saber que vai passar
 Porque nem nervoso você está.

 Impossível é passar raiva por mais de um minuto.
 Eles nunca levarão a raiva tão a sério quanto você...
 Mas quando a raiva é com um deles,
 Ao invés de ficar nervoso, vai rir.

 Porque eles fazem um gesto engraçado com a boca
 Assim, entortando pro lado
 Que significa pedido de desculpas.
 E você já nem lembra mais...

 Delícia é observá-los felizes de perto
 Nunca de longe.
 Tê-los sorrindo, chorando, chovendo, brilhando
 No nosso colo.

 Delícia é observá-los felizes de longe
 Com outra pessoa.
 Vê-los sorrindo, chorando, chovendo, brilhando
 Lá naquele outro colo.
 Que é um tanto mais acolhedor que o seu.

 Um lado do peito dói
 Mas o outro ameniza.
 Dói de tê-lo indo,
 Mas ameniza ao vê-lo maduro, feliz e entregue.

 Conforte-se em saber que aquele conselho que você deu
 Sobre o tal último relacionamento amoroso frustrado
 Funcionou.
 E a lágrima que ontem caiu, outra pessoa cessou.

 Como você havia dito.
 Delícia é conhecer tão bem uma pessoa à ponto de acertar nos conselhos que oferece.

terça-feira, 1 de março de 2011

O simples é que atrasa a vida

 Vai passar frio um bocado.
 Vai doer um tanto assim. Ó.
 Sabe aquela dor agudinha, agudinha que dá no peito... Então!
 E quando não tem ninguém perto para contar... Piorô.
 E quando o pé aperta no calçado, mas a ocasião é formal e tal...
 Quando fica calor, mas não pode tirar a blusa porque é menina.
 E quando tem aquele turbilhão de gente na fila e sua bexiga estourando?
 E quando a gente perde a hora por causa de um despertador! Vê se pode uma coisa dessas.
 Deixou de ser promovido...
 E se você quer coçar o nariz ou te dá uma dor de barriga!

 Haja paciência.

 E quando é traído
 Ou faliu
 Ou perdeu o braço, acidentou, bateu a cabeça e endoidou, prendeu o dedo na porta e ficou roxo...  Doeu, doeu, doeu.

 Na hora parece que vai fazer xixi nas calças, mas dá pra segurar mais um pouquinho...
 Na hora parece que o planeta explodiu, mas ele continua lá. Girando, girando. Nem ligando para você.
 Na hora é como se o peso do mundo caísse sobre seus ombros. Bem nos SEUS ombros! Mas depois você lembra que o mundo é grande demais para despencar sobre uma pessoa só... Ainda mais você.
 É como se uma bala perfurasse seu crânio! Mas você continua com seus sentidos impecáveis. Vivinho, vivinho.
 É como se alguém tivesse te esquartejado, comido pedaço por pedaço, vomitado e montado de novo. Mas você tá aí! Lembrando de como é ficar dentro do estômago de alguém... E ainda tá nessa!

 O problema só é grande para você. Aceite isso.
 A pedra tá no meio do caminho. E o caminho quem trilha é você... Então, involuntariamente, a escolha é sua: Ou desvia da pedra ou senta na frente. Para... Para no tempo...

 Melhor continuar... Parar por aí não vai fazer a dor diminuir.
 Garanto!
 Fazer o que... E fica de cara-amarrada para ver! Cinquenta pedras de um lado, setenta de outro, e TUDO EM CIMA DE VOCÊ!

 A vida é essa. Mesmo que vomitem o almoço em você... Engole. E veja pelo lado bom.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Auto-suficiência, autonomia e amor-próprio.

 Admiro.

 Dependência é viver sobre um muro alto.
 De um lado, alívio.
 Deu certo!
 Mas se caso não der, vai reclamar para quem?
 Não vai.
 Você não teria esse direito...
 Vai cair. Sem se quer levantar a voz.

 Vai reclamar para si mesmo
 Baixinho, na hora de dormir.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Onde está o problema?

 Eu sei onde está o problema!

 E não está na roupa que você veste.
 Nem se você não tem qualquer uma que preste.

 Não está na espinha que nasceu.
 Nem na pura celulite que você bebeu.

 Não está no cabelo liso demais, ou enrolado demais e blablabla.
 Não está na cor da sua pele ou no peso que você acabou de ganhar.

 O problema está justamente aí, aonde você não consegue alcançar.
 O problema está na alma que você nem sabe se tem.
 E se tem, não sabe a que vem.
 Não sabe o que fazer.
 Não sabe como cuidar.
 Quem sabe você não compra um manual de instruções?

 Tenho certeza que se eu gritar fará eco. Seu coração é oco.
 Mas sua pele? Intacta.

 O problema está bem aí, dançando na tua cara.
 Mas enquanto isso, você se olha no espelho e ignora o fato de ser apenas outro cabide.
 Não, você não ignora. Você gosta.
 Você se orgulha.
 Estufa o peito siliconado para falar de si mesma!
 Esbanjando modéstia e bons-costumes...

 Que se dane o que você tem dentro do seu guarda-roupa!
 Que se dane quanto você pagou no seu vestido!
 Que se dane se você TEM um vestido!

 Isso já passou e já morreu. Ninguém viu, nem notou.
 Nem olhou, nem torceu o nariz.
 Você passou, alguém te viu! Ha, alarme falso.
 Era só o seu ego mais uma vez...

 Mas você estava lá!
 Em um palco iluminado e gigantesco, bem no centro do mundo.
 E todos paravam para olhar sua tremenda beleza inacreditável!
 Dava pra ver até o preço do vestido!

 Ha, claro. Agora o mundo vai parar para você descer.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Preocupe-se em sentir. O resto vem.

"P" com "A" vira PA.
 PA de PA-TA.
 PA de PAL-MA.

 PATA PALMA
.
 Mas assim não pode ser.
 Será preciso engordar o "P" para formar um "B".
 Pois na verdade o "P" é um "B" emagrecido.

 E se estou dizendo que é, é e pronto.
 "BATA PALMA"

 Mas e se eu não quiser?
 É PATA PALMA e fim.

 Quem é que vai me impedir?
e se eu nao quiser dar espaço letra maiuscula em inicio de frase nem usar virgula nem ponto final nem acento nem ponto de interrogaçao nem exclamaçao nem nada e quiser falar chapeuzinho ao inves de acento circunflexo

 QUEM É QUE VAI ME IMPEDIR?

 "ACREDITO QUE ERRADO É AQUELE QUE FALA CORRETO E NÃO VIVE O QUE DIZ."

 *Texto dedicado às pessoas que usam tanta vírgula e verbos corretamente conjugados... Se preocupando tanto em não usar abreviações... Mas com tantas preocupações, acabam por esquecer o tal conteúdo.
 Bom, se é que vocês me entendem, isso acaba ficando tão patético, mas tão patético... Pior ainda é aquele que se diz inteligente por ler cinquenta livros russos todo mês e rir na cara de quem pergunta se XÍCARA é com "X" ou "CH".

 Ai que ânsia de vômito.

 O importante é existir COMUNICAÇÃO.
 Contando que com a comunicação esteja tudo bem, dispenso qualquer lição de “concordância verbal” e outros blablablas.

 Saber falar, escrever e se comunicar é extremamente válido sempre.
 A maneira como você faz isso, não importa.
 Contando que faça BEM FEITO.

 Escrever não tem nada a ver com aulas de redação, português ou literatura.
 Se você escreve por receber elogios em redações escolares, conjugar verbos corretamente ou por saber diferenciar uma RESENHA de uma SÍNTESE...
 Aí você vai ter que me perdoar se eu disser que você pensa que escreve.
 Escrever não é nada disso.

 A escola te ensina morfologia e sintaxe. O que é muito útil, por sinal.
 Mas a vida te ensina a sentir. O que ultrapassa qualquer aula de português e literatura.

 Para escrever, basta sentir.
 Que o resto vem.

 CHÍCARA, CHERIFE, ASULEJO, PINEU, NÓS VAI E A GENTE FOMOS.
 Quero ver quem vem me dizer que está errado.
 Vou perguntar: É? Onde?
 Me dê uma aula de português e me ensine como falar. Vou rir.

 Admiro quem fala bonito.
 Mas tenho arrepio de gente que pensa que fala e ainda dá uma esnobada...

 Fala bonito aquele que sabe o que está dizendo.
 
 Agora vai lá! Decore um dicionário.
 Quando for escrever, procure sinônimos.
 Encontre palavras mais difíceis.
 "AUMENTE SEU VOCABULÁRIO".
 Encontre palavras que até Deus duvida...
 Isso! E seu texto não terá valor algum.


 Gente patética.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Bloqueio meu cérebro

 Por pensar em despedidas.

 Detesto despedidas.
 Nunca sei como reagir...
 Nunca sei que expressão usar.
 Nunca sei de que jeito abraçar.

 Imagine só quando a despedida pegar a gente.

 E ouvirmos um: Até logo.
 ATÉ LOGO?
 LOGO QUANDO?
 AMANHÃ?
 POR FAVOR DIGA AMANHÃ!
 DIGA MÊS QUE VEM!

 Mas não diga: Eu não sei.

 Bloqueio meu cérebro. Prefiro nem pensar.
 Prefiro esperar o tempo passar...

 E ver no que dá.

 Prefiro nem pensar.
 Te amar assim, sem medo.
 E continuar.

Abstinência.

 Tabaco.
 Álcool.

 Substância nociva: Amor.

 Estraga meu pulmão,
 Meu fígado.
 Amarela os dentes.
 Me estraga.
 Metralha meu orgulho.

 Te beijo com gosto de cerveja,
 Te beijo bebendo.
 Beijo bêbado.
 Dês de que eu beije você...

 Beijando você, tudo cria vida e sai vivendo.
 Andando, morrendo.

 Beijando você,
 Amando você,
 Fumando você,
 Tendo você.

 Não importa.
 Nada me importa.
 Dês de que eu tenha você.

 Um vício chamado você.
 Ficar longe é meu período de abstinência.
 Conseguir de novo leva o nome de recaída.

 Droga, cocaína.
 E eu aqui. Só precisando de você.
 Mais uma vez.

 Meu vício.
 Dá saudade, dá vontade, dá beleza.
 Dá frieza.

 E fede.
 Fede amor.

 O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:
 Fumar é prejudicial à saúde.

 E você, mata.
 De amor.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

"O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

O mundo está ao contrário e ninguém reparou?
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou.

E são dois cílios em pleno ar,
Atrás do filho vem o pai e o avô.
Como um gatilho sem disparar,
Você invade mais um lugar onde eu não vou.
...

Corre a lua, porque longe vai?
Sobe o dia tão vertical...
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por esta noite.

Porque está amanhecendo?
Peço o contrário, ver o sol se pôr
Porque está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for...

Quem nesse mundo faz o que há durar
Pura semente dura: o futuro amor
Eu sou a chuva pra você secar
Pelo zunido das suas asas você me falou... "

No clima da poesia de Nando Reis.

Parabéns por ser tão foda e ter escrito isso.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Lua

 Você aceita se casar comigo? 
 Se sim, viveria de artesanato.
 Pulseiras, brincos, tornoseleiras...
 E desejaria paz e amor.
 Cabelo ensebado, roupas largas e pés descalços.

 Aceita se casar comigo?
 Morreria te admirando à beira da praia.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Uma monotonia de você

 QUEM ME DERA ESSES FOSSEM MEUS DIAS COMUNS!


 VOCÊ uma hora dessas...

 Cansei de não ter você quando eu quero.
 Cansei de te querer toda hora.

 Mentira. Quanto mais eu penso, mais te quero.
 Mais te amo.
 Mais te espero.
 Te espero... Me espero...
 Espero... Sempre espero.

 Espero sempre que tudo passe.
 Que o dia passe.
 Que a semana passe.
 Que o ano passe.
 Que quanto mais o tempo passa, menos tempo tem até ficarmos juntos de vez.

 Espero sempre que tudo passe.
 Menos que você passe de mim.

 Não deixe o eu em você morrer.
 Eu morreria também...

 Quanto mais eu penso, mais te quero.
 Mais te amo.

 Que burra, né?
 Mas é.

A gente é uma novela.
Mexicana.
Tem drama, tem mocinho e mocinha.
Tem muito drama... Tem história...
Tem até pedido de casamento.
ATÉ pedido de casamento.

Por favor, não deixe o eu em você morrer.
Eu te amo, amo, amo, amo, amo, amo, amo!

A
M
O
.

 Sinto falta de você e do seu cheiro.
 Sinto falta...
 Queria que você fosse minha rotina.
 Queria que minha rotina fosse uma monotonia cheia de você.
 Queria que a gente virasse rotina.

 Queria que dias como esse, fossem comuns.