quarta-feira, 30 de março de 2011

Por não querer o que vai ser

Sabe acordar e fingir que não?
Minto para mim mesma que ainda não abri os olhos
E fecho rapidamente, antes que percebam que menti.
Faço isso todos os dias bem cedinho,
Por não querer de novo o que vai ser.
Finjo que é noite mais uma vez,
Para não ter que ouvir a voz daquele porteiro chato
Que aparece sempre no mesmo tom batido.
Finjo sempre que o tempo tirou férias e a Terra vai ficar quentinha em casa.
Para a minha consciência não pesar tanto enquanto eu viro e dou outra dormida.
Qual é o problema em adiar um pouquinho? Se eu já sei mesmo o que vai ser...
Sabe querer sumir, desaparecer
Reduzir-se à floquinhos de nada
Virar a sopa da janta, fugir ou morrer
Sabe querer outra vida
Mas não poder, por ter nascido em uma?
Sabe não ser de onde é
Mas não saber aonde se encaixa?
Sabe... Querer sair do sério com fequência, às vezes?


sábado, 26 de março de 2011

Boa música

 Está escuro
 Faz frio
 Venta gelado
 E meu cabelo molhado,
 Pingando.
 Na cadeira gelada
 Molhada
 Gelada.

 Sem calça comprida
 Nem cobertor
 Cubro-me de música.
 Boa música.

 De repente um calor parte da minha coluna vertebral e percorre todo o meu corpo, como se procurasse algo...
 Quando encontra, para no fundo do meu ser e eu descubro que procurava minha alma.
 Fecho os olhos e sinto meu coração se comprimir no peito: Tudo está aquecido e minha alma grita que vai partir em mais uma viagem pelo meu corpo.
 É o refrão.

 Viaja em mim como se seu combustível fosse despertar os sentimentos mais sinceros, profundos e mais meus.
 Como se seu combustível fosse fazer sentir-se.
 Como se dissesse: Estou aqui e sempre estive. Só pare para ouvir e entenderá para o que eu sirvo.

 Como se seu objetivo fosse aquecer meu corpo gelado nessa noite fria...
 Ou, ainda, aquecer minha alma fria nesse vida gelada.

 Então queimo,
 Como mágica.
 Mágica curta,
 Que termina ao término da música.

  

sexta-feira, 25 de março de 2011

E na minha testa, um aviso:

 Deste lado para cima.
 
 Não estou para boa companhia.
 Não estou para segurar a barra.

 Pense o que pensar
 Faça o que fizer
 Mas por hoje, não.

 Tchau e até depois do meu chá de camomila.
 Se demorar muito, saiba que estarei colando os pedaços da máscara
 Aquela bem bonita, que eu uso para aturar você.


 

quarta-feira, 23 de março de 2011

Um pouco de nós

 Essa é uma história que está acima de tudo que atrasa a vida.

 Um tanto para lá do muro concreto
 Meio na beira da imaginação
 Equilibrando-se para não perder a razão
 Com um pé lá no alto e outro ameaçando sair do chão.

 Uma história que queima
 Arde
 Fere, perdoa, imagina.

 Que ainda não caiu em si
 Mas já ultrapassou seu limite
 E não aceita qualquer que seja o seu palpite.

 Vale frisar que está acima, muito acima
 Acima do que atrasa, do que apressa
 Do que fica sem tempo, que estressa
 E de tudo aquilo que faça perder a graça
 Da chuva fininha caindo na praça.

 Acima de todo e qualquer sujeito
 Que não nos faça perder o jeito
 Nem nos faça sair do eixo
 Já que juntos vemos só o que é nosso
 E esquecemos o que é direito
 Bonito, bem feito
 E temos apenas o que de fato somos.
 E somos bem feitos, errados e direitos
 Como deveríamos ser.

 No molde exato, na fôrma correta
 Minha perda de tempo predileta
 Compreendemos a única medida que temos
 Para sermos nós.

 Minha fórmula secreta para fechar os olhos
 E viajar...
 Ir um pouco para lá do além
 Viajar no que é meu
 No que eu sou
 No que eu quero... No que eu vou...

 E os meus pés, tão na realidade
 Passeando, voando, voando

Funcionou

 Delícia é encontrar os amigos.
 Observar os que se amam profundamente
 E amar amá-los se amando profundamente.

 Delícia é ter porque ficar nervoso.
 Um nervoso tranquilo
 De saber que vai passar
 Porque nem nervoso você está.

 Impossível é passar raiva por mais de um minuto.
 Eles nunca levarão a raiva tão a sério quanto você...
 Mas quando a raiva é com um deles,
 Ao invés de ficar nervoso, vai rir.

 Porque eles fazem um gesto engraçado com a boca
 Assim, entortando pro lado
 Que significa pedido de desculpas.
 E você já nem lembra mais...

 Delícia é observá-los felizes de perto
 Nunca de longe.
 Tê-los sorrindo, chorando, chovendo, brilhando
 No nosso colo.

 Delícia é observá-los felizes de longe
 Com outra pessoa.
 Vê-los sorrindo, chorando, chovendo, brilhando
 Lá naquele outro colo.
 Que é um tanto mais acolhedor que o seu.

 Um lado do peito dói
 Mas o outro ameniza.
 Dói de tê-lo indo,
 Mas ameniza ao vê-lo maduro, feliz e entregue.

 Conforte-se em saber que aquele conselho que você deu
 Sobre o tal último relacionamento amoroso frustrado
 Funcionou.
 E a lágrima que ontem caiu, outra pessoa cessou.

 Como você havia dito.
 Delícia é conhecer tão bem uma pessoa à ponto de acertar nos conselhos que oferece.

terça-feira, 1 de março de 2011

O simples é que atrasa a vida

 Vai passar frio um bocado.
 Vai doer um tanto assim. Ó.
 Sabe aquela dor agudinha, agudinha que dá no peito... Então!
 E quando não tem ninguém perto para contar... Piorô.
 E quando o pé aperta no calçado, mas a ocasião é formal e tal...
 Quando fica calor, mas não pode tirar a blusa porque é menina.
 E quando tem aquele turbilhão de gente na fila e sua bexiga estourando?
 E quando a gente perde a hora por causa de um despertador! Vê se pode uma coisa dessas.
 Deixou de ser promovido...
 E se você quer coçar o nariz ou te dá uma dor de barriga!

 Haja paciência.

 E quando é traído
 Ou faliu
 Ou perdeu o braço, acidentou, bateu a cabeça e endoidou, prendeu o dedo na porta e ficou roxo...  Doeu, doeu, doeu.

 Na hora parece que vai fazer xixi nas calças, mas dá pra segurar mais um pouquinho...
 Na hora parece que o planeta explodiu, mas ele continua lá. Girando, girando. Nem ligando para você.
 Na hora é como se o peso do mundo caísse sobre seus ombros. Bem nos SEUS ombros! Mas depois você lembra que o mundo é grande demais para despencar sobre uma pessoa só... Ainda mais você.
 É como se uma bala perfurasse seu crânio! Mas você continua com seus sentidos impecáveis. Vivinho, vivinho.
 É como se alguém tivesse te esquartejado, comido pedaço por pedaço, vomitado e montado de novo. Mas você tá aí! Lembrando de como é ficar dentro do estômago de alguém... E ainda tá nessa!

 O problema só é grande para você. Aceite isso.
 A pedra tá no meio do caminho. E o caminho quem trilha é você... Então, involuntariamente, a escolha é sua: Ou desvia da pedra ou senta na frente. Para... Para no tempo...

 Melhor continuar... Parar por aí não vai fazer a dor diminuir.
 Garanto!
 Fazer o que... E fica de cara-amarrada para ver! Cinquenta pedras de um lado, setenta de outro, e TUDO EM CIMA DE VOCÊ!

 A vida é essa. Mesmo que vomitem o almoço em você... Engole. E veja pelo lado bom.