Cabeça baixa
Sono
Amargura...
Assusta.
Olhar retraído
Olhar destraído
Sem apetite
Repensando alguns palpites
Meus palpites desacelerando...
Me assusta.
Sempre tão cheia de mim
E no meu umbigo
De repente ficar por fora
Tão por fora assim
De mim,
Me assusta.
Me ver abrindo o portão
E entrando em casa assim
Por cima,
Me assusta.
É como se eu fosse ao cinema todos os dias
Para assistir uma réplica quase perfeita
Um xerox de mim que faz exatamente o que eu faço,
Mas que não sou eu, de fato.
Como se eu estivesse em recesso,
Intervalo, pausa para o lanche.
Um período entre a brincadeira de viver
E a vida.
Melancolia.
Vivendo agora para dar certo depois.
E com muito medo
De que dê errado.
De que não saia como o planejado
Tão planejado...
Medo do tal "nunca chegar",
Medo de me preparar para viver depois
Para sempre.

Nenhum comentário:
Postar um comentário