sábado, 16 de abril de 2011

Um cinema de mim

 Cabeça baixa
 Sono
 Amargura...
 Assusta.

 Olhar retraído
 Olhar destraído
 Sem apetite
 Repensando alguns palpites

 Meus palpites desacelerando...
 Me assusta.

 Sempre tão cheia de mim
 E no meu umbigo
 De repente ficar por fora

 Tão por fora assim
 De mim,
 Me assusta.

 Me ver abrindo o portão
 E entrando em casa assim
 Por cima,
 Me assusta.

 É como se eu fosse ao cinema todos os dias
 Para assistir uma réplica quase perfeita
 Um xerox de mim que faz exatamente o que eu faço,
 Mas que não sou eu, de fato.

 Como se eu estivesse em recesso,
 Intervalo, pausa para o lanche.
 Um período entre a brincadeira de viver
 E a vida.

 Melancolia.
 Vivendo agora para dar certo depois.

 E com muito medo
 De que dê errado.
 De que não saia como o planejado
 Tão planejado...

 Medo do tal "nunca chegar",
 Medo de me preparar para viver depois
 Para sempre.

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