quinta-feira, 28 de julho de 2011

Descobrindo perfeição

 A imensidão em cada nota
 O sentimento na técnica
 E a sutileza da estética...

 Tudo em mim é sentimento, queimo sentidos em busca de emoções completas.
 Quando sai daquele cine teatro eu não soube explicar o que tinha sido aquela orquestra... Aquela moça solando no cello, aquela senhora viajando dentro de um violino, a harmonia perfeita, o todo. Na verdade, até agora eu não sei. O que foi aquilo? Um tapa na cara. Um soco na boca do estômago. Um chute na canela. Isso.
 Sentar naquela cadeira foi entrar na montanha-russa que há em todos nós. Jorrar. Chorar triste, de amor. Chorar alegre, de prazer, de sorte por estar ali. Querer dançar, feliz, desavisado.
 Perfeito. Eu jamais acreditei na possibilidade da perfeição mas, eu garanto. Perfeito. Mágico.
 Música é magia. E olhar para o lado, encontrá-lo ali sentado, aquele meio sorriso de quem também está descobrindo perfeição, é ter certeza de que encontrei o meu lugar. Encontrei o meu lugar.
 Nunca vou esquecer. Saímos de lá olhando meio assim, encabulados.
 E dizendo: "Caramba, isso é Deus... Isso é Deus."

                               




 Somos um violino melodramático
 Em uma Valse Sentimentale
 Somos os pássaros piando no pátio
 Em sua doçura que não me vale...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Choque térmico

 Alguém aí já se viu parado no meio de um nada absurdo, olhando para a ponta dos pés, vista embaçada, como se tudo no mundo fosse apenas os pés, os dedos, as unhas...
 Me sinto como se tudo aquilo pelo qual lutei com unhas e dentes, acreditei, confiei cegamente, corri atrás e me esforcei para manter... Acabasse. Meus dedos todos se furaram e vejo um líquido muito estranho jorrar. Eu me vejo saindo de mim e não faço nada. Observo.

 Simplesmente.

 Como se tudo que sou virasse pó. Vapor. E se perdesse...
 Como se todos os meus princípios, certezas e até meus medos, não fossem mais meus. Não fossem de mais ninguém. Não fossem mais... Nada.

 Estaca zero
 Desde o princípio
 Tudo de novo
 again again again again again again again again again again again again again again again

 Esfriei.
 Difícil agora é desatar o nó que você me causou
 Ao jogar um balde de água fria sobre a minha cabeça sem a intenção de me esfriar...

 É que eu fervia. Feliz.
 Cúmulo do feliz.
 De repente uma leva de friagem, inverno, tempestade... De repente.
 Assusta. Choque térmico. Desculpa.

 Difícil. Tentei. Não deu.