quarta-feira, 30 de março de 2011

Por não querer o que vai ser

Sabe acordar e fingir que não?
Minto para mim mesma que ainda não abri os olhos
E fecho rapidamente, antes que percebam que menti.
Faço isso todos os dias bem cedinho,
Por não querer de novo o que vai ser.
Finjo que é noite mais uma vez,
Para não ter que ouvir a voz daquele porteiro chato
Que aparece sempre no mesmo tom batido.
Finjo sempre que o tempo tirou férias e a Terra vai ficar quentinha em casa.
Para a minha consciência não pesar tanto enquanto eu viro e dou outra dormida.
Qual é o problema em adiar um pouquinho? Se eu já sei mesmo o que vai ser...
Sabe querer sumir, desaparecer
Reduzir-se à floquinhos de nada
Virar a sopa da janta, fugir ou morrer
Sabe querer outra vida
Mas não poder, por ter nascido em uma?
Sabe não ser de onde é
Mas não saber aonde se encaixa?
Sabe... Querer sair do sério com fequência, às vezes?


Um comentário:

  1. Encantador e motivador esse poema...gostei muito dele, me faz repensar sobre vários aspectos chatos, que ficamos presos, do dia-a-dia. Parabéns pela composição!!!!
    Fer Machado

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