Virou a esquina e sumiu no mundo.
Fiquei ali parada assistindo a sua ida.
Imóvel.
Meu coração berrava de dentro do peito: CORRE, CORRE! AINDA DÁ TEMPO!
Mas meu ouvido estava ocupado demais escutando os escapamentos.
Parei. Não sei por quanto tempo, mas parei. Parei e vi gente correndo apressada.
E eu alí, parando... Ficando... Morrendo... Esperando.
Foi então que veio um moço e me perguntou se estava tudo bem.
Eu disse:
- Moço, você viu? Virou a esquina e sumiu.
Nem se preocupou com despedidas.
Quanto a essa sensação que eu sinto agora, não sei se é dor.
Dor de uma saudade que eu sei que vai chegar, não sei se é pena de mim...
Moço, você viu? Sumiu virando a esquina, só não sumiu de mim.
- Quem era, moça?
E eu chorei para o moço que queria tanto saber...
Disse que era alguém do cabelo bonito, meio assim, sabe? Bagunçado
Que sorria o tempo todo, sabia bem ao certo quando e porque fazer tudo o que fazia.
Terminava com elegância tudo que começava. Não parava em meios-termos.
Não tinha meio-tempo.
Disse ainda que andava correto e na medida, me ouvia sempre e detestava despedidas.
Alquém que me abraçava quando não sabia o que dizer.
Perguntei se o moço sabia quando a gente sente que está errado, mas não quer ouvir isso de ninguém...
Disse que esse alguém sabia. Respeitava meus motivos, meu espaço.
Respeitava meu acessos de ternura, de carência, de loucura.
Respeitava meus dias de fúria, minha tpm.
Respeitava meus defeitos, sempre paciente com meus erros...
Cabia tão certinho no meu coração... Não ocupava espaço demais nem de menos. Era na medida.
Ia tão de acordo com meus sonhos e desejos... Não ultrapassava nem limitava qualquer coisa.
Era um alguém assim, tão perfeito e tão na medida para me fazer feliz... E agora eu estava parada no meio do mundo.
Não estava virando a esquina nem correndo atrás.
E o moço disse:
- Mas moça, esse alguém não existe.
- Como não? Se acabou de virar a esquina...
- Então, moça. Virou, não virou? Aprenda uma coisa: Esquina é igual a máscara que nasce no rosto da gente: Uma hora a gente vira. Uma hora... Ela cai.
Foi então que consegui tirar meu pé do chão e continuar.
Andei, andei, andei.
Pensei, pensei, pensei.
Continuei andando e pensando. Mais pensando que andando.
E já quase parando...
Pensei tanto que achei que conhecia o tal alguém e o tal moço.
O alguém era aquele que a gente acha que conhece, enquanto ele finge que existe.
Sabe? Aquele alguém que a gente espera, mas nunca vem.
E na verdade, nunca virá. Enquanto a gente esperar...
"Para quem não sabe amar... Vive esperando alguém que caiba no seu sonho..."
Perfeito ninguém é. Ninguém cabe no sonho de ninguém.
E no fim, o moço estava certo. O tal alguém não existe.
O nosso erro é imaginar alguém que combine perfeitamente conosco e querer encontrá-lo em outras pessoas.
Não culpe pessoas por não serem idealizações suas.
Apenas as ame como são.
E respeite as mudanças que, sozinhas, decidirem fazer.
Que te amarão de volta.
E quanto ao moço, era apenas a minha consciência entrando em cena mais uma vez e me dizendo o que eu já sabia.
Só faltou pensar (como sempre).
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirseus textos não são apenas textos, são simplismente a arte de deslumbrar, surpreender, ser sublime.
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